quinta-feira, 30 de junho de 2011

Marenco vence a Sapecada da Canção Nativa


A Milonga “O Primeiro Canto”, de Sergio Carvalho Pereira (letra) e Roberto Borges (música), defendida no palco por Luis Marenco e Xiru Antunes, venceu a 19ª Sapecada da Canção Nativa Nacional, levando o Troféu de 1º lugar e a quantia de 12 mil reais, nesta terça-feira (21), na XXIII Festa Nacional do Pinhão. É a quinta vez que Luis Marenco vence o Festival da Sapecada.
Outra Milonga, “A Memória da Pedra”, de Gujo Teixeira (letra) e Cristian Camargo (música), interpretada por Marco Aurélio Vasconcellos, Marcelo Oliveira, Luis Marenco e Joca Martins, levaram o Troféu de 2º lugar e cinco mil reais; e o Chamamé “O Mesmo”, de Fábio Maciel e Mateus Neves da Fontoura (letra) e de Juliano Moreno (música) , defendida por Marcelo Oliveira, conquistou o troféu de 3º lugar e mais a quantia de 3 mil reais.
O público vibrou enquanto torcia por suas canções preferidas acompanhando atentamente o desfile de composições nativistas no Palco Nativista da Festa do Pinhão. A coordenadora do Festival, Carla Arruda avaliou o evento de forma muito positiva.
“O Festival saiu afinadíssimo, com músicas de altíssima qualidade, belíssimos trabalhos, letras, fundamento e melodias bem arranjadas e bem colocadas, além dos melhores intérpretes do sul do Brasil. Com certeza, a Sapecada foi um sucesso”.
O Vanerão “O Aço do Tempo”, de Renato Gomes e Fabrício Costa mexeu com o público e foi escolhido como composição mais popular da Sapecada Nacional, titulação já conquistada no domingo, na Sapecada da Serra Catarinense.
A comissão julgadora premiou ainda as seguintes composições:
Melhor tema sobre a região serrana: Infância
Melhor tema Campeiro: O Mesmo
Melhor Conjunto Vocal: Romanceira
Melhor Arranjo: O Primeiro Canto
Melhor Melodia: Feito Alpargata
Melhor Letra: A Memória da Pedra
Melhor instrumentista: Aluísio Ronckemb

Melhor intérprete: Luís Marenco




segunda-feira, 20 de junho de 2011

Sapecada da canção de Lages

Milonga “Guitarreando”, de Vitor Amorim (música) e Everton Michels (letra), interpretada por Arthur Mattos, foi a vencedora da 11ª Sapecada Regional, ocorrida neste domingo, 19 de junho, na XXIII Festa Nacional do Pinhão. O Palco Nativista, onde aconteceu o festival, estava lotado, com o público torcendo e vibrando por suas canções favoritas. A segunda colocada foi o Milongão “Quando a Milonga Apear” de Ramiro Amorim e Maicon Oliveira, interpretada por Arthur Mattos e Ricardo Beisheim. O Chamamé “Noche Y Cadente”, de Rafael Vieira e Vitor Amorim e interpretada por Vitor Amorim conquistou a terceira colocação.

A música Mais Popular, escolhida pelo voto da imprensa, mais os jurados, observando a reação do público, foi o Vaneirão “O Aço do Tempo”, de Renato Gomes e Fabrício Costa.


As quatro composições classificadas na fase regional, se somarão às 16 composições que concorrerão às premiações da 19ª Sapecada da Canção Nativa. Nesta segunda, dia 20 de junho, se apresentam a 2ª e 3ª colocadas, e e a vencedora e a canção mais popular participam direto da grande final no dia 21 de junho.


A coordenadora do festival, Carla Arruda, afirmou que “A cada ano que passa, vemos um crescimento e amadurecimento dos participantes da Sapecada Regional, de igual para igual com os competidores da Sapecada Nacional. Nossos músicos estão fazendo um belíssimo trabalho, e nós vimos nessa noite composições maravilhosas, isso para mim é uma gratificação muito grande. Nos sentimos realizados em termos um festival desse porte, o maior orgulho para Lages” ressaltou a coordenadora.


A Comissão organizadora fez ainda a seguinte premiação:


Melhor tema da região serrana - Com a Luz da Estrela Dalva;


Melhor tema campeiro - O Rastro de uma partida;


Melhor conjunto vocal - O Rastro de uma partida;


Melhor arranjo musical -Uma certa tropilha;


Melhor melodia- Noche y cadente;


Melhor letra – Carvalho;


Melhor instrumentista- Gabriel Maculan;


Melhor intérprete - Arthur Mattos.


GAAF em Erechim!


No último sábado o Grupo de Artes Abrindo Fronteiras se apresentou na cidade vizinha de Erechim numa gradiosa festa junina promovida pela Academia de Danças Vivi do nosso amigo e parceiro Leonardo Pavan. Festa muito bem organizada por sinal com direito a bailinho depois das apresentações.
Também a noite marcou a estréia de alguns novos integrantes no Gaaf; Amanda, Alana, Cássia e Lucas. Parabéns ao Leonardo pela festa e ao grupo pela belíssima apresentação que levantou o público presente.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

9º Acampamento Farrapo de Nonoai.

Na noite (08) de quarta-feira, no Galpão Negro Abrelino, aconteceu à reunião do Acampamento farrapo de Nonoai onde foi definido a Comissão Organizadora e definido alguns ajustes nas suas normas de funcionamento bem como discutidos alguns nomes para os shows a serem realizados.

O Acampamento farrapo terá inicio dia 14 de setembro de 2011, tem como homenageado esse ano o Senhor Air e Sirlei Cerbaro, fundadores do CTG Sentinela do Pampa. Como tema a Semana farroupilha 2011 se têm “Nossas raízes” tema esse que foi aprovado pela Comissão Estadual e homologado no Congresso Tradicionalista Gaúcho do MTG (Movimento Tradicionalista Gaúcho) em janeiro de 2011, este tema tem como objetivo explorara história do Rio Grande do Sul e buscar em alguns episódios e períodos indicadores da identidade do povo gaúcho.

Se tratando de comissão Organizadora do 9º Acampamento Farrapo de Nonoai ficou assim definido:

Presidente: Enio Endeler
Vice- Presidente: Arcildo Zugue
Secretária: Maria Antonia
Tesoureiro: Marcio Poglia
Patrocínio: Ademir de Oliveira, Adriano Farias, Arcildo Zugue, Enio Endeler, Flavia Borges, Carlos A. Merigo, Adriano de Abreu.
Terrenos e Estrutura Física: Marcio Poglia, Vlademir Casseres, Altevir de Souza, Wilson dos Santos, Paulo Sergio Voltan, Julio Cesar da Rocha Duda
Divulgação: Gabriela Mattes, Cristiano Pinto, Adriano de Abreu, Membros da Atrol
Protocolo: Anilton de Amaral, Claudio R. Linhares, Gabriela Mattes
Homenageado: Gabriela Mattes, Adriano farias, Leia Cerbaro, Vlademir Casseres, Aldovino Loureiro de Mello
Desfile (Cavalarianos): Aldovino Loureiro de Mello, Paulo Winckler, Amarildo
Shows: Anilton de Amaral, Carlos A. Merigo, Aldovino Loureiro de Mello, Enio Enderle, Gabriela Mattes
Cultural: Gabriela Mattes e Departamento Tradicionalista Jovem

Alguns Shows foram definidos e outros foram patrocinados por empresas admiradoras e apreciadoras da cultura gaúcha. Os Shows já definidos são: Teixeirinha Filho, Os Trovadores e Valdomiro Maicá. Em breve será divulgado a programação completa e os outros grandes shows que abrilhantará o 9º Acampamento Farrapo de Nonoai.



Fonte: Portal Nonohay

O Tango

O Tango nasceu nos fins do século XIX derivado das misturas entre as formas musicais dos imigrantes italianos e espanhóis, dos crioulos descendentes dos conquistadores espanhóis que já habitavam os pampas e de um tipo de batuque dos negros chamado "Candombe". Há indícios de influência da "Habanera" cubana e do "Tango Andaluz". O Tango nasceu como expressão folclórica das populações pobres, oriundas de todas aquelas origens, que se misturavam nos subúrbios da crescente Buenos Aires.
Numa fase inicial era puramente dançante. O povo se encarregava de improvisar letras picantes e bem humoradas para as musicas mais conhecidas, mas não eram, por assim dizer, letras oficiais, feitas especificamente para as músicas nem associadas definitivamente a elas.
Em público, dançavam homens com homens. Naqueles tempos era considerada obscena a dança entre homens e mulheres abraçados, sendo este um dos aspectos do tango que o manteve circunscrito aos bordéis, onde os homens utilizavam os passos que praticavam e criavam entre si nas horas de lazer mais familiar. Mais tarde, o tango se tornou uma dança tipicamente praticada nos bordéis, principalmente depois que a industrialização transformou as áreas dos subúrbios em fábricas transferindo a miséria e os bordéis para o centro da cidade. Nessa fase haviam letras com temática voltada para esses ambientes. São letras francamente obscenas e violentas.

Por volta de 1910 o Tango foi levado para Paris. Existem várias versões de como isso aconteceu. A sociedade parisiense da época em que as artes viviam o modernismo ansiava por novidades e exotismos. O tango virou uma febre em Paris e, como Paris era o carro chefe cultural de todo o mundo civilizado, logo o tango se espalhou pelo resto do mundo. A parcelas moralistas da sociedade condenavam o tango, assim como já haviam se colocado contra a valsa antes, por o considerarem uma dança imoral. A própria alta sociedade Argentina desprezava o tango, que só passou a ser aceito nos salões de alta classe pela influência indireta de Paris.
Em 1917 começaram a surgir variantes formais do Tango. Uma delas, influenciada pela romança francesa, deu origem ao chamado Tango-canção. Tangos feitos para musicar uma letra. A letra passa a ser parte essencial do tango e conseqüentemente, surgem os cantores de tango. O tango já não é feito exclusivamente para dançar. É considerado o primeiro - ou pelo menos mais marcante nessa transição - Tango-canção o "Mi Noche Triste" com uma letra que Pascoal Contursi compôs, em 1917, sobre uma música mais antiga chamada "Lita".
Nos cabarés de luxo da década de 1920, o tango sofreu importantes modificações. Os executantes não eram mais os pequenos grupos que atuavam nos bordéis, mas músicos profissionais que trouxeram o uso do piano e mais qualidade técnica e melódica.
Carlos Gardel já era um estrondoso sucesso em 1928. Sucesso que durou até 1935, quando faleceu vítima de um acidente de avião quando estava em pleno auge. Gardel cantava o tango em Paris, Nova York e muitas outras capitais do mundo, sempre atraindo multidões, principalmente quando se apresentava na América latina. Eram multidões dignas de Elvis Presley e Beatles. Também foi responsável pela popularização do tango estrelando filmes musicais de tango produzidos em Hollywood.


quarta-feira, 8 de junho de 2011

Jantar no Sentinela!

Grande Jantar Italiano no CTG Sentinela do Pampa dia 09 de Julho
E show com o grande cantor Angelo Franco.

Inicio: 20:00 Horas
Valor: R$ 15,00

Ingressos podem ser adquiridos com o pessoal da patronagem, integrantes do Grupo de Artes Abrindo Fronteiras e com integrantes da ATROL.





Confira uma mostra do show de Angelo Franco

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Chacarera

Vivendo a tradição começa falar um pouco das danças influentes do Rio Grande do Sul começamos com a "Chacarera".


Pertence ao folclore vivo, pois ainda se dança ao natural nos ambientes populares de algumas províncias. A respeito disse La Nusta que é possível encontrar em Catamarca, Salta, Tucumán, Santiago Del Estero, sul de Jujuy, La Rioja, Cuyo e parte de Córdoba.
Enquanto as versões musicais antigas da a Chacarera, podemos mencionar, entre outras, as de Andrés Chazarreta (1911,1916,1920,etc), as de Manuel Gómez Carrillo (1920 e 1923), etc.


Características Gerais

Espécie folclórica da República Argentina, com exceção do litoral argentino, sua prática é conhecida por ser praticada em quase todo país. Pertence as danças de caráter vivo, de parceiros soltos e independentes. Sua origem é difícil de determinar, está emparelhada com as outras espécies como o Gato, o Escondido, o Marote, o Palito, o Ecuador e o Remedio, entre outras.


Modos Utilizados

As Chacareras são em sua maioria “bimodais”, utilizando a escala com terceiras paralelas. Também existe Chacareras exclusivamente em modo menor e em menor proporção.


Variações

- Chacarera double: originada de Santiago Del Estero, se diferencia da Chacarera porque ao se dançar há um giro depois da mudança e antes de dar a volta redonda, parte do rombo que se agrega ao começar. Ainda em alguns casos se emprega o avanço e retrocesso reto;
- Chacerera truca: agrega-se há um tempo médio ao final que lhe dá uma característica de sincronia difícil de acompanhar com instrumentos ao dançar.
- Chacarera larga: com alguns lances mais largos que a double, em especial o agregado de um contragiro.


Existem 4 tipos de Chacareras perfeitamente diferentes no território nacional:

- La Santigueña
- La Tucumana
- La Chaqueña
- La Cordobesa



Origens

Poucos testemunhos escritos nos documentam suas origens, mas se acredita que começou depois de 1850, nas províncias do norte, centro e oeste da Argentina.

Segundo a tradição oral, nasceu em Santiago Del Estero, além disso o eixo de sua existência está nas províncias chacareras, que melhor definem essa teoria.

A primeira versão musical é a de Andrés Chazarreta, em 1911.

Pertence a um grupo de danças malandras, de ritmo ágil e caráter muito alegre e festivo, gozo da aceitação do ambiente rural e também dos salões cultos do interior até finos do século passado, espalhando por todo país, exceto no litoral e na Patagônia. É uma das poucas vigentes, ao dizer que ainda se dança em Santiago Del Estero – onde se arranjou com firmeza – e em Tucumán, Salta, Jujuy, La Rioja, Catamarca e Córdoba.

Há poucos documentos que nos contam sua história, mencionam que é a mais antiga e se dançava em Tucumán em 1850. musicalmente consta de 4 frases nas quais se cantam as coplas e um interlúdio que é somente instrumental, intercalado depois da primeira e segunda copla e também serve de introdução. Este interlúdio é uma característica coreográfica, já que pode durar de 6 a 8 compassos, e varia da mesma forma a duração desta – ou acompanhamento musical que se utiliza genericamente de uma guitarra, violino, acordeom e pressuposto, o bombo, que se traja com seus típicos repiques. Na coreografia se introduz uma figura que é o avanço e o retrocesso, que consta de 4 compassos o igual que em quase todas as nossas danças consta como partes. A segunda se dança igual a primeira, mais invertendo como é característica, a posição inicial.

Indumentária feminina: sapatos de couro com salto médio. Vestido de zaraza em duas pesças: saia rodada e adornada com amplas rendas aplicadas. Bata abotoada na frente com rendas posto com sobresaia e outro na borda das mangas e au redor do pescoço. Penteado com uma ou duas traças soltas.

Indumentária masculina: botas adornadas com ou sem esporas. Bombacha e jaqueta típica, cortona de bordas retas e adornado de “alforcitas” o ninho de abelha chamadas “encarrujadas”. Camisa qualquer, branca o de cor, faixa, puxador com rastro, ou cinta larga com bolsos. Lenço de seda no pescoço com as pontas meio para as costas. Sombreiro de abas largas, nas cores cinza, marrom e preto. Faca na cintura. Pode-se dançar de dois pares “em quarto” ou compartilhadas, em cujo caso os bailarinos se localizam nos vértices do quadro imaginário, tendo cada cavaleiro ao frente a seu colega e à esquerda à dama contrária. As figuras que se compartilham são a volta inteira e meia volta.


Uma Chacarera que fez história

A história musical do folclore argentino se remonta as primeiras criações crioulas, muitas delas baseadas na literatura do Ciclo do ouro espanhol, e a fusão lenta e constante que sofreu com as influencias de natureza indígena.

Este folclore, puro e descontaminado, começou a registrar-se musicalmente, mas sem verso, no final do século XVIII e começo de XIX. Já em meados de 1800 começa um processo de “acriolamento” e de divulgação da musica e dança.

Nos últimos anos do século XIX e começo de XX, da mão de Mecenas do Folclore e Dr. Ernesto Padilla e recopiadores da valia de Andrés Chazarreta, ou Juan Alfonso Carrizo, o folclore resgata-se e divulga-se por todo centro e norte do país. Já na década de 1920 se começa a “projetar” as guitarras cuyanas por uma lado e a companhia de arte nativo de D. Chazarreta por outro fazem chegar o folclore a Buenos Aires: ali se registra o primeiro grande cambio na estética musical.

Um novo cambio se produz com o surgimento da poesia salteña da mão de Dávalos, Portal, Perdiguero, etc, e na dança que leva a cabo Santiago Ayala, o chúcaro.

Mas é uma Chacarera, criada em Tucumán, por poetas e músicos salteños: os irmãos Nuñez (Pepe e Geraldo) que introduz uma nova estética, estilizada e muitas vezes resistida...esta é a Chacarera de 55. A continuação transcreve uma nota na qual se reproduzem os ambientes e personagens que rodearam esta criação musical que impõem um antes e depois na música folclórica Argentina.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Festas Juninas no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul as festas de junho estão ligadas ao solstício de inverno e são quatro, os santos do mês: Santo Antonio (13), São João (24) e São Pedro e São Paulo (29).
São festas importantes no calendário gaúcho e sua alegria não tira a seriedade das comemorações. O que se deve impedir - e o tradicionalismo está vencendo esta batalha - é a aparição de festas caipiras, que de caipiras não tem nada e visam colocar em ridículo um tipo humano de cultura tão importante como o gaúcho, que já mereceu estudos sérios de homens como Mário de Andrade, Amadeu Amaral e Alceu Maynard Araújo.
E se dizer que houve um tempo em que sociedades importantes e escolas sérias realizavam até os famigerados "casamentos na roça" em nosso estado!
As verdadeiras festas juninas do Rio Grande do Sul são as seguintes:
SANTO ANTONIO - Comemora-se a 13 de junho e, em certos municípios - como Mostardas e Tavares - manifestam-se os Ternos, hoje com menor intensidade. Embora esses cantores ambulantes lembrem os clássicos Ternos de Reis, os versos que cantam deixam bem claro o santo que evocam.
O normal é fazer a festa de Santo Antonio no dia que lhe é consagrado no calendário gregoriano, acendendo a fogueira no entardecer do dia 13 e, a partir daí, realizando as costumeiras provas de amor, jogo de prendas e salto sobre as brasas. Ultimamente, porém, está se verificando a tendência de se comemorar o dia de Santo Antonio no Dia dos Namorados (12 de junho), de inspiração comercial.
SÃO JOÃO - É a festa junina mais popular do estado, com os gaúchos acendendo fogueiras em incontáveis municípios. Ocorre, porém, frequentemente um erro: as fogueiras são acesas na véspera de São João e não, como deveria ser, à tarde do dia 24 de junho.
A roupa adequada para essa ocasião é a gauchesca de festa. A comida é a galinha frita, assada ou com arroz, a batata-doce, o pinhão (preparado de várias maneiras), o amendoim, a pipoca, a cangica, os doces campeiros. Assar churraso, ainda mais nas brasas da fogueira, seria um desrespeito ao santo. Bebe-se cachaça, quentão, jacuba ou capilé.
Conta-se que na antiga Judéia as primas Isabel e Maria estavam grávidas e moravam em casas distantes. A primeira que ganhasse bebê deveria anunciar a boa nova à outra, acendendo uma fogueira na frente da própria casa. Santa Isabel ganhou o filho, São João Batista, primeiro e cumpriu o prometido e até hoje os gaúchos acendem fogueiras, anunciando a vinda do santo.
Tem-se, porém que "acordar" São João, por que à noite, é claro, ele dorme no céu. Por isso explodem foguetes e bombas. O secular costume de soltar balões está em desuso, no estado.
São João também tem seu terno, com versos próprios.
Em São Borja, no RS, realiza-se anualmente a festa de São Joãozinho Batista, quando,a baixo de cantos religiosos próprios, a imagem do santinho é retirada da casa da festeira e vai, em andor, até a Fonte de São João, distante várias quadras. À passagem da procissão o pátio das casas nas ruas percorridas vão se iluminando com a inflamação de fogueiras, enquanto a paizada vai soltando bombas e foguetes. Chegando à fonte, a imagem é passeada nos ombos de um devoto (sempre o mesmo) sem se molhar. Depois, todos voltam sem grandes formalidades à casa da festeira, onde se realiza um baile animado a gaita, violão e pandeiro, com comes e bebes. No outro dia, à tarde (aí sim, dia de São João), é realizada uma Mesa de Inocentes, farte e à vontade, para a gurizada do bairro.
Em muitos lugares, porém, como em São Borja e no interior de Sobradinho, ocorre o interessante fenômeno de "caminhar sobre as brasas", de pés descalços. É verdadeiramente impressionante.
Na festa de São João em várias cidades, quando realizada pelo padre, acontecem os tradicionais "leilões" (galinha, leitão), "pescaria", etc. Quando a festa é espontânea, ocorrem jogos de prenda, baile e provas de amor e saúde, algumas destas à meia-noite em ponto.
SÃO PEDRO - O santo guardião das chaves, porteiro do céu, é o padroeiro do Rio Grande do Sul. A Estância da Poesia Crioula, academia de letras do gauchismo, realiza todos os dias 29 de junho a festa máxima. Hoje quase não se acendem as fogueiras de São Pedro e raramente aparece o Terno deste santo.
AS FOGUEIRAS - As fogueiras juninas merecem uma consideração à parte. A de Santo Antonio é quadrada. A de São João, redonda. A de Sâo Pedro, triangular.
O festeiro escolhido para comandar os festejos de qualquer um dos santos de junho deve escolher um bom Capitão de Mastro e um bom Alferes de bandeira, os quais organizarão a fogueira, tratarão da implantação do mastro para a bandeira e mandarão confeccionar (onde ainda não existir) a própria bandeira. É adequado, também, fincar-se um pau-de-sebo no local da festa, para diversão do piazedo. A fogueira centraliza a festa. Mesmo depois de extinta, os namorados, de mãos dadas, ainda pulam por cima de suas brasas.
Assim são - e assim tem que continuar comemoradas no Rio Grande do Sul as festas dos santos de junho, as festas juninas.